Sobre a Fome ao Canibalismo em Holodomor.
Holodomor foi um período de fome e genocídio que ocorreu na Ucrânia entre os anos de 1932 e 1933, durante o governo de Joseph Stalin na União Soviética. Durante esse período, a União Soviética implementou políticas agrícolas e econômicas que resultaram em uma grande escassez de alimentos na Ucrânia, levando à morte de milhões de pessoas. Em resumo, isso aconteceu por causa da REFORMA AGRÁRIA SOCIALISTA do Stálin, na antiga Rússia, que era chamada União Soviética, naquele tempo.
Há relatos de casos de canibalismo durante o Holodomor, em que pessoas desesperadas e famintas recorreram a comer carne humana para sobreviver. No entanto, é importante destacar que esses casos ocorreram em condições extremas de privação e desespero. Mas ocorreram em quase todas as Revoluções Comunistas.
Muitas vezes, o relato de canibalismo no Holodomor foi usado como propaganda pelos governos ocidentais para denunciar as políticas soviéticas e a brutalidade do regime de Stalin. No entanto, é importante lembrar que o Holodomor foi um evento complexo e com muitos fatores, incluindo as políticas econômicas soviéticas e a resistência ucraniana, contribuíram para a tragédia. A REFORMA AGRÁRIA SOCIALISTA do Stálin fez parte da REVOLUÇÃO SOCIALISTA COMUNISTA DOS RUSSOS.
Em resumo, enquanto houve relatos de canibalismo durante o Holodomor, é importante contextualizar esses casos como uma consequência extrema da fome e da desesperança que atingiram a Ucrânia durante esse período. Isso aconteceu por causa da REFORMA AGRÁRIA SOCIALISTA do Stálin, na antiga Rússia, que era chamada União Soviética, naquele tempo.
Durante o regime do Khmer Vermelho no Camboja, que ocorreu entre 1975 e 1979, estima-se que mais de 1,7 milhão de pessoas tenham morrido devido à violência, trabalho forçado e fome. O regime impôs políticas extremas para transformar o Camboja com uma reforma agrária igualitária, jogando todas as formas de classes burguesas para pobreza extrema e reprimindo qualquer forma de oposição política ou cultural.
Há relatos de canibalismo no período do Khmer Vermelho, em que pessoas famintas recorreram a comer carne humana para sobreviver. No entanto, assim como no caso de Holodomor, esses casos ocorreram em condições extremas de privação e desespero. Mas isso aconteceu por causa da REFORMA AGRÁRIA SOCIALISTA do Pol Pot, no Camboja.
Além disso, o regime do Khmer Vermelho foi responsável por outras formas extremas de violência, como a execução sumária de opositores políticos, intelectuais, religiosos e outras minorias, bem como a prática generalizada de trabalho forçado em condições deploráveis. O regime também promoveu a destruição de templos e monumentos históricos, além de proibir a prática de religiões e outras tradições culturais.
Em resumo, enquanto houve relatos de canibalismo no Camboja durante o regime do Khmer Vermelho, é importante lembrar que essa foi apenas uma das muitas formas extremas de violência que foram praticadas pelo regime. O genocídio perpetrado pelo Khmer Vermelho deixou um legado duradouro no Camboja e continua a afetar a sociedade cambojana até os dias de hoje.
Durante o regime do Khmer Vermelho no Camboja, os intelectuais e aqueles com educação formal eram frequentemente desprezados e perseguidos. O regime acreditava que a educação formal era uma marca de elitismo e que os intelectuais eram corruptos e burgueses.
Muitos intelectuais foram presos, torturados e executados durante o regime do Khmer Vermelho. Aqueles que sobreviveram foram frequentemente forçados a trabalhar em condições extremamente difíceis, incluindo trabalho forçado em fazendas coletivas e em campos de trabalho.
Algumas histórias relatam que alguns intelectuais foram obrigados a lavar latrinas, enquanto outros foram forçados a trabalhar em minas e campos de trabalho agrícolas. Além disso, muitos foram submetidos a tratamentos humilhantes e forçados a confessar falsos crimes.
Durante o regime do Khmer Vermelho, o conhecimento e a educação foram vistos como uma ameaça à ideologia do regime e à sua visão de uma sociedade agrária igualitária. Como resultado, os intelectuais e educados foram frequentemente alvo de perseguição e violência.
Em resumo, durante o regime do Khmer Vermelho no Camboja, os intelectuais e aqueles com educação formal foram frequentemente desprezados, perseguidos e forçados a trabalhar em condições difíceis. O regime via a educação formal como uma ameaça à sua visão de uma sociedade agrária igualitária e, como resultado, muitos intelectuais foram alvo de violência e perseguição.
( EXISTEM DENÚNCIAS SOBRE CANIBALISMO NA CHINA ATUALMENTE. )
SITE PEDINDO DOAÇÃO DE CARNE HUMANA HOJE : humanmeatproject.com/about-us/
Sobre a Fome ao Canibalismo na China.
Durante o período da Grande Fome na China, que ocorreu entre 1958 e 1961, milhões de pessoas morreram de fome devido a políticas desastrosas de coletivização agrícola implementadas pelo governo comunista de Mao Zedong. Embora tenha havido relatos de casos isolados de canibalismo durante esse período, eles ocorreram em condições extremas de privação e desespero.
Durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa, que ocorreu entre 1937 e 1945, houve relatos de canibalismo praticado por soldados japoneses em várias partes da China. Esses relatos foram amplamente documentados e condenados pela comunidade internacional.
No entanto, é importante destacar que o canibalismo é uma prática extremamente rara e culturalmente abominável em todas as sociedades humanas. Portanto, é importante não generalizar ou estereotipar a China ou qualquer outra cultura com base em relatos isolados de canibalismo, mas existiram em quase todos países que passaram por REVOLUÇÕES COMUNISTAS.
O livro Negro Sobre o Comunismo e a Fome ao Canibalismo Induzido por Mao Zedong.
O "Livro Negro do Comunismo" é uma obra que se propõe a documentar os crimes cometidos pelos regimes comunistas ao longo do século XX.
É importante lembrar que a Grande Fome na China foi causada principalmente por políticas econômicas desastrosas implementadas pelo governo comunista de Mao Zedong, que resultaram em uma grave escassez de alimentos e na morte de milhões de pessoas.
O "Livro Negro do Comunismo" inclui um capítulo sobre a China comunista que menciona a Grande Fome de 1958-1961, durante a qual milhões de pessoas morreram de fome devido às políticas desastrosas de coletivização agrícola implementadas pelo governo comunista de Mao Zedong. O capítulo descreve o uso de métodos brutais pelo governo para confiscar os alimentos da população, incluindo a fome forçada e a proibição da migração em busca de alimento.
O livro menciona que, houve relatos de canibalismo durante a Grande Fome, embora esses relatos sejam difíceis de verificar e não tenham sido comprovados de maneira conclusiva. O livro também menciona que os líderes do Partido Comunista Chinês, incluindo Mao Zedong, sabiam da gravidade da situação de fome, mas se recusaram a agir para ajudar a população.
No entanto, é importante lembrar que Mao Zedong foi responsável por uma
série de políticas brutais e repressivas que resultaram em muitas mortes
durante seu governo, incluindo a Grande Fome de 1958-1961, a Revolução
Cultural e outras campanhas de "limpeza" políticas. O uso de bile de
inimigos como remédio, seria apenas um
exemplo de suas políticas brutais e repugnantes.
TRECHOS DO LIVRO NEGRO SOBRE O COMUNISMO EM QUE FALAM SOBRE A FOME AO CANIBALISMO. SÃO 13.
O Comitê entrou em contato com o chefe da Igreja Ortodoxa, o patriarca Tikhon, que logo criou o Comitê Eclesiástico Panrusso de Ajuda aos Famintos. Em 7 de julho de 1921, o patriarca fez que com que uma carta pastoral fosse lida em todas as igrejas: “A carniça tornou-se uma iguaria no cardápio da população faminta, e mesmo essa iguaria não é fácil de se encontrar. Choro e gemidos são ouvidos por toda parte. Já se chegou ao canibalismo... Estenda uma mão caridosa a seus irmãos e irmãs! Com a permissão dos fiéis, você pode utilizar o tesouro das igrejas que não tenham o valor do sacramento para socorrer os famintos, tais como anéis, correntes e braceletes, decorações que adornem os santos ícones,etc. " Página 63.
Eis alguns exemplos desse terrível testemunho:
No fim do mês de junho, começou o envio dos deportados para os assim chamados povoados de colonização. Esses lugares situavam-se em média a 200 quilómetros da ilha, subindo o rio Nazina, em plena taiga. Em matéria de povoado, era a natureza virgem. Conseguiu-se contudo instalar um forno primitivo, o que permitiu fabricar uma espécie de pão. Mas, quanto ao resto, havia pouca mudança em relação à vida na ilha de Nazino: mesma ociosidade, mesmo desânimo, mesmo desfecho. A única diferença era uma espécie de pão, distribuído uma vez a cada tantos dias. A mortalidade continuava. Um único exemplo. Das 78 pessoas embarcadas para a ilha, em direção ao quinto setor de colonização, 12 chegaram com vida. Em breve, as autoridades reconheceram que esses locais não eram colonizáveis, e todo o contingente sobrevivente foi mandado de volta, de barco, rio abaixo. As evasões multiplicaram-se. [...] Nos novos locais de instalação, os deportados sobreviventes, aos quais se haviam dado enfim algumas ferramentas, se puseram a construir, a partir da segunda quinzena de julho, abrigos enterrados pela metade no solo. [...] Houve ainda alguns casos de canibalismo. [...] Mas a vida progressivamente retomava seus rumos: as pessoas recomeçaram a trabalhar, mas seus organismos estavam tão fracos, que, mesmo quando elas recebiam 750-1.000 gramas de pão por dia, elas continuavam a cair doentes, a passar fome, a comer grama, pasto, folhas, etc. O resultado de tudo isso: em 20 de agosto, dos 6.100 deportados que partiram de Tomsk (aos quais se devem somar 500-700 pessoas enviadas à região, vindas de outros lugares), apenas cerca de 2.200 pessoas permaneceram vivas[...]Páginas 78,79.
No campo, a mortalidade atinge o seu auge na primavera de 1933. O tifo se junta à fome; em burgos de vários milhares de habitantes, os sobreviventes não são mais do que algumas dezenas. Casos de canibalismo são assinalados tanto nos relatórios da GPU como naqueles dos diplomatas italianos lotados em Kharkov: “Em Kharkov, são recolhidos a cada noite cerca de 250 cadáveres de pessoas mortas de fome ou de tifo. Nota-se que um número muito grande dentre eles não possuía mais fígado, que parecia ter sido extraído através de um grande corte. A polícia acabou encontrando alguns dos misteriosos 'am-putadores', que confessaram que com essa carne eles preparavam o recheio dos pirojki [pequenos patês] que em seguida eram vendidos no mercado.
Página 83.
Cinco anos antes do Grande Terror que atingiu em primeiro lugar a inteligência e os executivos da economia do Partido, a grande fome de 1932-1933, apogeu do segundo ato da guerra anticamponesa começada em 1929 pelo Partido-Estado, aparece como um episódio decisivo na instalação de um sistema repressivo experimentado por etapas, e, de acordo com as oportunidades políticas do momento, contra este ou aquele grupo social. Com seu cortejo de violências, de torturas, de mortandade de populações inteiras, a grande fome traduz uma impressionante regressão, ao mesmo tempo política e social. Vêem-se tiranos e déspotas locais se multiplicarem, prontos a tudo para extorquir dos camponeses suas últimas provisões, e a barbárie se instalar. Os excessos cometidos são erigidos como práticas cotidianas, as crianças são abandonadas, o canibalismo reaparece com as epidemias e a bandidagem; “acampamentos de morte” são instalados, os camponeses conhecem uma nova forma de servidão, sob a autoridade severa do Partido-Estado. Como escreveu com perspicácia Sergo Ordjonikidze a Serguei Kirov, em janeiro de 1934: “Os nossos executivos que conheceram a situação de 1932-1933 e que permaneceram incólumes têm verdadeiramente a têmpera de aço. Penso que com eles nós construiremos um Estado que a História não viu jamais”.Página 85.
E todavia a China da primeira metade do século XX não anunciava, nem em quantidade nem em modalidades, os excessos do maoísmo triunfante. Se a revolução de 1911 foi pouco dramática, os 16 anos que se seguiram, antes da semi-estabilização imposta pelo regime do Kuomintang, conheceram um certo número de matanças. Foi, por exemplo, o caso desse foco revolucionário que era Nanquim, onde, de julho de 1913 a julho de 1914, o ditador Yuan Shikai mandou executar vários milhares de pessoas.24 Em junho de 1925, a polícia das concessões estrangeiras de Cantão matou 52 participantes de uma manifestação operária. Em maio de 1926, em Pequim, 47 estudantes morreram durante uma manifestação pacífica antijaponesa. Sobretudo, em abril/maio de 1927, primeiro em Xangai e depois nas outras grandes cidades do Leste, milhares de comunistas foram executados pela original coligação que unia o chefe do novo regime, Chiang Kai-shek, e as sociedades secretas do submundo local. A Condição Humana, de André Malraux, evoca o caráter atroz de certas execuções, na caldeira de uma locomotiva. Não parece que os primeiros episódios da guerra civil que opôs os comunistas aos nacionalistas tenham sido acompanhados por matanças de grande amplitude, tal como a Longa Marcha (1934-1935); ao contrário dos japoneses, que cometeram, entre 1937 e 1945, inúmeras atrocidades na vasta porção da China que ocupavam.Bem mais assassinas do que a maior parte destes atos foram as fomes de 1900,1920-1921 e 1928-1930. Todas elas atingiram o norte e/ou o noroeste do país, regiões mais sensíveis à seca: a segunda causou a morte de meio milhão de pessoas, a terceira de dois a três milhões. Mas, embora a segunda tenha estado ligada à desorganização dos transportes provocada pelas guerras civis, não se pode dizer que tenha havido qualquer "conspiração de fome", e não se pode, então, falar de chacina. O mesmo não acontece com o caso do Henan, onde, em 1942-1943, de dois a três milhões de pessoas morreram de fome (ou seja, 5% da população), tendo sido registrados atos de canibalismo.
Apesar de as colheitas terem sido desastrosas, o governo central de Chongqing não concedeu qualquer redução de impostos, e numerosos camponeses viram todos os seus bens serem confiscados. A presença da frente de combate contribuiu para tornar as coisas ainda piores: os camponeses estavam submetidos, sem salário, a trabalhos obrigatórios, como cavar um fosso antitanque com 500 quilómetros de comprimento, que se revelou completa-mente inútil. Foi como que uma prefiguração de certos erros do Grande Salto Adiante, ainda que a guerra pudesse, no caso de Henan, constituir uma desculpa parcial. De qualquer modo, o ressentimento dos camponeses foi enorme.
Página 237.
E no entanto, quando, em janeiro de 1928, os habitantes de um povoado Estandarte Vermelho viram chegar uma tropa que arvorava a bandeira escarlate, juntaram-se entusiasticamente a um dos primeiros "sovietes" chineses, o de Hai-Lu-Feng, dirigido por P'eng P'ai. Os comunistas tiveram o cuidado de jogar com o equívoco, mas souberam colorir com o seu discurso os ódios locais, e finalmente, aproveitando a coerência da mensagem de que eram portadores, usá-los para os seus próprios fins, concedendo aos partidários neófitos a possibilidade de darem livre curso a seus mais cruéis impulsos. Assistiu-se assim, 40 ou 50 anos antes, durante alguns meses de 1927-1928, a uma espécie de prefiguração dos piores momentos da Revolução Cultural ou do regime Khmer Vermelho. Desde 1922 que o movimento tinha sido preparado por uma intensa agitação mantida pelos sindicatos camponeses suscitados pelo Partido Comunista, conduzindo a uma forte polarização entre "camponeses pobres" e "proprietários de terras" - sendo esses incansavelmente denunciados -, ainda que nem os conflitos tradicionais e nem sequer as realidades sociais permitissem dar um particular destaque a essa divisão. Mas a anulação das dívidas e a abolição dos arrendamentos asseguravam ao soviete um vasto apoio. P'eng P'ai aproveitou a circunstância para pôr em vigor um regime de "terror democrático": o povo inteiro era convidado a assistir aos julgamentos públicos dos "contra-revolucionários", quase que invariavelmente condenados à morte; participava das execuções, gritando "mata, mata" aos Guardas Vermelhos que tratavam de cortar a vítima pedaço a pedaço, que por vezes cozinhavam e comiam, ou obrigavam a família do supliciado - que, ainda vivo, assistia a tudo — a comer; todos eram convidados para os banquetes em que se partilhava o coração ou o fígado do antigo proprietário, e para os comícios onde o orador discursava diante de uma fileira de estacas cada uma enfeitada com uma cabeça recentemente cortada. Esse fascínio por um canibalismo de vingança, que iremos reencontrar no Camboja de Pol Pot e que responderia a um antiquíssimo arquétipo largamente difundido na Ásia Oriental, aparece frequentemente nos momentos paroxísticos da história chinesa. Assim, numa era de invasões estrangeiras, em 613, o imperador Yang (dinastia Suei) vingou-se de um rebelde perseguindo até os seus parentes mais afastados: "Os que foram mais duramente castigados sofreram o suplício do esquartejamento e da exposição da sua cabeça espetada numa vara, ou foram desmembrados, trespassados por flechas. O imperador intimou os grandes dignitários a comerem, pedaço a pedaço, a carne das vítimas. O grande escritor Lu Xun, admirador do comunismo num momento em que este não rimava com nacionalismo nem com antiocidentalismo, escreveu: "Os chineses são canibais..." Menos populares que estas orgias sangrentas eram as violências que os Guardas Vermelhos de 1927 praticavam nos templos, contra os religiosos-feiticeiros taoístas: os fiéis pintavam os ídolos de vermelho, tentando preservá-los, e P'eng P'ai começava a se beneficiar dos primeiros sinais de uma divinização. Cinquenta mil pessoas, entre as quais numerosos pobres, fugiram da região durante os quatro meses em que o soviete aí reinou.
Página 238.
O fato de a fome ter sido de natureza política está demonstrado pela concentração de uma grande parte da mortalidade nas províncias governadas por maoístas radicais, ao passo que, em tempos normais, são antes exportadoras de alimentos: Sichuan, Henan, Anhui. Esta última, no Centro-Norte, é sem dúvida a mais afetada: a mortalidade cresce 68%o, em 1960 (contra cerca de 15%o num período normal), enquanto a natalidade cai para l l%o (contra cerca dos 30%o habituais). Resultado: a população sofre uma diminuição de dois milhões de pessoas (6% do total) num único ano. Os ativistas do Henan estão convencidos, como Mão, de que todas as dificuldades são provocadas pelo fato de os camponeses esconderem os cereais: segundo o secretário da prefeitura de Xinyang (com dez milhões de habitantes), onde tinha sido lançada a primeira comuna popular do país, "não é que faltem os alimentos. Há grãos em quantidade, mas 90% dos habitantes têm problemas ideológicos." E contra o conjunto dos rurais (a "hierarquia de classes" está, no momento, esquecida) que, no outono de 1959, é lançada uma ofensiva de estilo militar, na qual os encarregados recuperam os métodos da guerrilha antijaponesa. Pelo menos dez mil camponeses são aprisionados, e muitos morrem de fome. É dada ordem de quebrar todos os utensílios de cozinha dos particulares (os que não foram transformados em aço inutilizável), a fim de impedir qualquer espécie de auto-alimentação e de tirar-lhes a vontade de rapinar os bens das comunidades. É mesmo proibido fazer fogo, num momento em que o rude inverno se aproxima! As distorções da repressão são terríveis: tortura sistemática de milhares de detidos, crianças mortas, cozinhadas e em seguida utilizadas como adubo — isto enquanto uma campanha nacional incita a "aprender com o Henan". No Anhui, onde se proclama a intenção de "conservar a bandeira vermelha, mesmo com 99% de mortos",107 os quadros voltam às boas e velhas tradições de enterrar as pessoas vivas ou torturá-las com ferros em brasa. Os funerais são proibidos: receia-se que o seu número assuste os sobreviventes e se transformem em manifestações de protesto. É proibido recolher as inúmeras crianças abandonadas: "Quantas mais forem recolhidas, mais serão abandonadas". Os aldeãos desesperados que tentam chegar às cidades são recebidos a tiro. O distrito de Fenyang conta mais de 800 mortos, e 12,5% da sua população rural, ou seja, 28.000 pessoas são punidas segundo diversas modalidades. A situação ganha contornos de uma verdadeira guerra anticamponesa. Como disse Jean-Luc Domenach, "a intrusão da utopia na política coincidiu muito precisamente com a do terror policial na sociedade". A mortalidade pela fome ultrapassa os 50% em certos povoados; por vezes, só os quadros que abusaram do seu poder estão em condições de sobreviver. E, como no Henan, os casos de canibalismo são numerosos (63 reconhecidos oficialmente), em especial através de "associações" onde as pessoas trocam os seus filhos pelos de outros, para os comerem.
Página 250.
A maior tragédia do Tibet contemporâneo foi a das centenas de milhares de prisioneiros dos campos de concentração - talvez um tibetano em cada dez, no total - dos anos 50 e 60. Parece que muito poucos (há quem fale de 2%)3is escaparam vivos dos 166 campos recenseados, a maior parte no Tibet e nas províncias vizinhas: as organizações a serviço do Dalai-Lama reportaram, em 1984, 173.000 mortos em cativeiro. Comunidades monásticas inteiras foram enviadas para as minas de carvão. As condições de detenção - fome, frio, calor extremo - parecem ter sido, no seu conjunto, terríveis, e fãla-se tanto de execuções de detidos que se recusavam a abrir mão da ideia de um Tibet independente quanto de casos de canibalismo entre os prisioneiros quando da fome do Grande Salto. Tudo se passa como se os tibetanos, entre os quais um quarto dos homens adultos são lamas, constituíssem uma população de suspeitos: um em cada seis adultos, aproximadamente, foi classificado como direitis-ta, contra um em 20 na China. Na região tibetana das planícies, no Sichuan, onde Mao pudera reabastecer-se quando da Longa Marcha, dois homens em cada três são presos nos anos 50, só vindo a ser libertados em 1964 ou 1977. O Panchen-Lama, o segundo mais alto dignitário do budismo tibetano, ousa protestar junto de Mão, num relatório de 1962, contra a fome e a repressão que dizimam os seus compatriotas. Em resposta, é atirado para a prisão e depois colocado em regime de prisão domiciliar, até 1977; o "veredicto" que o condena é anulado em 1988. Página 277.
Pode objetar, do mesmo modo, que o comunismo norte-coreano é uma caricatura do comunismo, tal como foi o dos Khmers Vermelhos. Uma exceção arqueostalinista. Certamente, mas esse museu do comunismo, esse Madame Tussaud asiático, continua vivo...
Feitas essas reservas, podemos adicionar aos 100.000 mortos em consequência dos expurgos no interior do Partido do Trabalho, 1,5 milhão de mortos devido ao internamento concentracionário e 1,3 milhão de mortos na sequência da guerra desejada, organizada e desencadeada pelos comunistas -uma guerra inacabada que aumenta regularmente a quantidade das vítimas devido a operações pontuais, mas mortíferas (ataques de comandos norte-coreanos contra o Sul, atos de terrorismo, etc.). Haveria que se adicionarem a esse balanço as vítimas diretas e sobretudo indiretas da subnutrição. É nessa área que hoje faltam mais dados, mas também é aí que, agravando-se a situação, os elementos podem, dramaticamente e muito proximamente, tornar-se mais pesados. Mesmo que nos contentemos, desde 1953, com 500 mil vidas perdidas devido à fragilização face às doenças, ou diretamente provocadas pela escassez alimentar (correm atualmente boatos, evidentemente incon-troláveis, de atos de canibalismo!), chegamos, para um país com 23 milhões de habitantes e submetido a um regime comunista durante 50 anos, a um resultado global de três milhões de vítimas.
Página 287.
Da destruição das referências à animalização.
A fome, como se sabe, desumaniza. Faz com que as pessoas se fechem sobre si mesmas, esquecendo qualquer consideração estranha à sua própria sobrevivência. Como explicar de outra forma o recurso ocasional ao canibalismo? Foi, em todo o caso, menos extenso do que na China do Grande Salto Adiante, e parece ter se limitado ao consumo de cadáveres. Pin Yathay menciona dois exemplos concretos: uma ex-professora que devorou parcialmente a irmã, e, numa enfermaria de hospital, a partilha do cadáver de um jovem. Em ambos os casos, a sanção para os "ogres" (espírito particularmente demoníaco na tradição khmer) é a morte; e, no caso da professora, através de espancamento diante de todo o povoado (e de sua filha). O canibalismo vingativo também existia, como na China: Ly Heng evoca o caso de um soldado khmer vermelho, desertor, forçado, antes de ser executado, a comer as suas próprias orelhas. O consumo de fígado humano é o mais citado, apesar de não se tratar de uma especificidade dos Khmers Vermelhos: os soldados
republicanos impunham-no por vezes aos seus inimigos, entre 1970 e 1975; encontramos costumes semelhantes por todo lado no Sudeste Asiático. Haing Ngor14í> relata a extirpação, numa prisão, do feto, do fígado e dos seios de uma mulher grávida assassinada; o feto é jogado fora (onde outros já se encontram secando dependurados na beirada do telhado do cárcere), o resto é levado, com esse comentário: "Esta noite temos fartura de carne!" Ken Khun recorda um chefe de cooperativa preparando um remédio para os olhos a partir de vesículas biliares humanas (e distribuindo-o liberalmente pelos seus subordinados!) enquanto exaltava as qualidades palatares do fígado humano. Não existirá nesse recurso à antropofagia um caso-limite de um fenómeno muito mais geral: o enfraquecimento dos valores, das referências morais e culturais e, antes de mais nada, da compaixão, virtude tão fundamental no budismo? Paradoxo do regime dos Khmers Vermelhos: afirmando querer implementar uma sociedade de igualdade, de justiça, de fraternidade, de abnegação, e, tal como os outros poderes comunistas, provocou-se um desencadeamento espantoso de egoísmo, do cada um por si, de desigualdade no poder, de arbitrariedade. Para sobreviver, era necessário sobretudo, e antes de mais nada, saber mentir, enganar, roubar e permanecer insensível.
Página 306.
O nível global de violência no Kampuchea Democrático era terrível. Mas, para a maioria dos cambojanos, o que aterroriza é o mistério que envolve os incessantes desaparecimentos, e não tanto o espetáculo da morte. Essa era quase sempre discreta, oculta. Haverá quem associe essa discrição no assassinato à invariável delicadeza dos militantes e quadros do PCK: "As suas palavras eram cordiais, muito doces, até nos piores momentos. Chegavam ao assassinato sem perderem a cortesia. Administravam a morte com palavras afáveis. [...] Eram capazes de fazer quaisquer promessas que quiséssemos ouvir para anestesiar a nossa desconfiança. Eu sabia que as suas doces palavras acompanhavam ou precediam os crimes. Os Khmers Vermelhos eram delicados em quaisquer circunstâncias, mesmo antes de nos abaterem como gado." Uma primeira explicação é tática: como sugere Pin Yathay, manter a surpresa, evitar a recusa ou a revolta. Uma segunda é cultural: o domínio de si próprio é altamente valorizado no budismo; aquele que cede à emoção perde sua dignidade. Uma terceira é política: tratava-se, tal como nos bons tempos do comunismo chinês (antes da Revolução Cultural), de provar a implacável racionalidade da ação do Partido - que nada deve a paixões momentâneas ou a impulsos individuais — e a sua total capacidade de dirigir em qualquer circunstância. Essa discrição nas execuções bastaria para provar que eram amplamente coordenadas a partir do Centro: a violência primitiva e espontânea, como, por exemplo, a dos movimentos populares, não hesita em exibir-se. No final de uma tarde, ou numa noite, soldados vêm buscar as pessoas para "interrogatório", para "estudarem", ou para a boa e velha "rotina do porrete". Muitas vezes, amarram-lhes os cotovelos atrás das costas, e pronto. Outras vezes, mais tarde, alguém encontra na floresta um cadáver não enterrado - talvez para inspirar ainda mais medo -, mas nem sempre identificável. Sabe-se hoje que há numerosas valas comuns - mais de mil em cada uma das províncias completamente investigadas, e existem 20, ao todo — espalhadas pelos campos cambojanos. Por vezes era concretizada a sinistra ameaça, constan-temente repetida pelos Khmers Vermelhos, de ir servir de "fertilizante aos nossos arrozais": "Matavam-se constantemente homens e mulheres para fazer adubo. Enterravam-se os cadáveres em valas comuns que eram onipresentes nos campos de cultivo, sobretudo nos de mandioca. Com freqüência, ao arrancar os tubérculos de mandioca, desenterrava-se um crânio humano através de cujas órbitas saíam as raízes da planta comestível." Os senhores do país parecem por vezes ter acreditado que não há nada melhor do que os cadáveres humanos para a agricultura;184 embora também seja lícito ver aqui, em paralelo com o canibalismo (dos quadros), o ponto culminante da negação da humanidade dos "inimigos de classe".
( CORPOS ERAM USADOS PARA ADUBAR OS CAMPOS DO CAMBOJA ).
A selvageria do sistema reaparece no momento supremo, o da execução. Para poupar as balas, mas também sem dúvida para satisfazer o frequente sadismo dos executores,18 o fuzilamento não é o mais corrente: apenas 29% das vítimas, segundo o estudo de Sliwinski. Em compensação, seriam contados 53% de crânios esmagados (com barras de ferro, com cabos de enxada), 6% de enforcados e asfixiados (com saco plástico), 5% de decapitados e de espancados até à morte. Confirmação da totalidade dos testemunhos: somente 2% de assassinatos teriam ocorrido em público. Entre esses, um número significativo de execuções "exemplares" de quadros caídos em desgraça, utilizando métodos particularmente bárbaros, em que o fogo (purificador?) parece desempenhar um papel relevante: enterramento até o peito numa vala cheia de brasas; cremação das cabeças com petróleo.
Página 310.











