BLOCOS HISTÓRICOS E HEGEMONIA


Os "blocos históricos" são um conceito central na filosofia do italiano Antonio Gramsci, que foi um dos mais importantes teóricos marxistas do século XX. Para entender esse conceito, é essencial contextualizá-lo dentro das ideias de Gramsci sobre hegemonia e a superestrutura ideológica da sociedade. 
Conceito de Bloco Histórico

1. Definição:

   - O termo "bloco histórico" refere-se à unidade e interdependência entre a estrutura econômica (a base material da sociedade) e a superestrutura (as ideias, instituições, e práticas culturais e políticas). Gramsci argumenta que essas duas esferas não podem ser vistas de forma isolada, pois estão intimamente ligadas e influenciam-se mutuamente.

2. Hegemonia:

   - A hegemonia é a forma pela qual a classe dominante mantém seu controle sobre a sociedade, não apenas através da força ou coerção, mas também através do consenso, obtido pela liderança cultural e ideológica. Um bloco histórico é uma expressão da hegemonia, onde a classe dominante consegue unificar várias forças sociais em torno de um conjunto comum de ideias e valores.

3. Construção de Blocos Históricos:

   - Para Gramsci, a classe dominante não pode manter sua posição apenas pela força bruta; ela precisa construir uma aliança com outras classes e grupos sociais, convencendo-os a aceitar sua liderança. Isso envolve a criação de um "bloco histórico" que combina uma base econômica específica com uma superestrutura política e ideológica que sustenta e justifica essa base.

4. Transformação Social:

   - A mudança de um bloco histórico ocorre quando a classe subalterna (ou classes subalternas) consegue articular uma nova visão de mundo que desafia a hegemonia da classe dominante. Isso pode levar a uma crise de hegemonia e, eventualmente, à formação de um novo bloco histórico, onde uma nova combinação de estrutura e superestrutura emerge.

Ensino Marxista e Gramsci

1. Relação com Marxismo:

   - Gramsci desenvolveu suas ideias dentro do marco teórico do marxismo, mas trouxe uma ênfase particular na superestrutura e na cultura, áreas que ele sentia que tinham sido subestimadas por outros teóricos marxistas. Enquanto Marx focava na economia como a base da sociedade, Gramsci enfatizava a importância das ideias, da cultura e das instituições na manutenção e transformação do poder.

2. Intelectuais Orgânicos:

   - Uma das contribuições chave de Gramsci é a ideia de "intelectuais orgânicos". Para ele, todos os grupos sociais produzem seus próprios intelectuais, que articulam e disseminam a visão de mundo dessa classe. Esses intelectuais desempenham um papel crucial na formação e manutenção de blocos históricos.

3. Práxis e Educação:

   - Gramsci acreditava na importância da educação e da práxis (ação reflexiva) para a emancipação das classes subalternas. A educação deve ser uma ferramenta para conscientizar os trabalhadores sobre sua posição dentro do sistema capitalista e capacitá-los para desafiar a hegemonia dominante e formar novos blocos históricos.

Importância no Contexto Atual

1. Análise Social e Política:

   - O conceito de blocos históricos é uma ferramenta útil para analisar como diferentes forças sociais interagem e se combinam para manter ou desafiar o status quo. Ele ajuda a entender as complexas relações entre economia, política, cultura e ideologia.  

2. Movimentos Sociais:

   - Movimentos sociais contemporâneos podem se beneficiar das ideias de Gramsci ao entender a importância de construir alianças e de criar uma hegemonia cultural e ideológica que possa desafiar a dominação das classes estabelecidas.

O conceito de blocos históricos de Gramsci é, portanto, uma contribuição significativa ao pensamento marxista, oferecendo uma perspectiva rica e complexa sobre a dinâmica do poder e a transformação social.

" Este estudo leva também a certas determinaçons do conceito de Estado, que é entendido habitualmente como Sociedade política (ou até como aparato coercitivo para enquadrar a massa popular, segundo o tipo de produçom e a economia de um momento dado) e nom como um equilíbrio da Sociedade política com a Sociedade civil (ou hegemonia de um grupo social sobre a inteira sociedade nacional, exercida através das organizaçons chamadas privadas, como a igreja, os sindicatos, as escolas etc.) e precisamente na sociedade civil, nomeadamente, operam os intelectuais (Benedetto Croce, por exemplo, é umha espécie de papa laico e é um instrumento mui eficaz de hegemonia, mesmo se de quando em vez pode nom concordar com este ou aquele governo etc.). A partir desta conceiçom do papel dos intelectuais, em minha opiniom, esclarece-se a razom, ou umha das razons, da queda das comunas medievais, isto é, do governo de umha classe económica, que nom soubo criar-se a própria categoria de intelectuais e portanto exercer umha hegemonia, mais do que umha ditadura; "GRAMSCI - CARTAS DO CARCERE

Igualmente, também che resumirei numha das próximas cartas o tema de um ensaio sobre o Canto décimo do Inferno dantesco, para que fagas chegar o roteiro ao professor Cosmo, quem como especialista em Dante, saberá dizer-me se figem umha falsa descoberta ou se merece realmente a pena escrever um contributo, umha migalha para engadir aos milhons e milhons de notas semelhantes que já fôrom escritas. GRAMSCI - CARTAS DO CARCERE


O PROBLEMA É QUE O INFERNO DE DANTE TEM APENAS 9 INFERNOS
GRAMSCI REALMENTE CRIA O 10º

GRAMSCI define ESTRUTURA como estruturas econômicas da sociedade, e SUPERESTRUTURA como a espera intelectual e cultural de uma sociedade, que na verdade, esta última a molda como sociedade. E quem possui HEGEMONIA possui o poder político da sociedade.

VEJAMOS O CONCEITO DE ESTRUTURA POR NORBERTO BOBBIO NO DICIONARIO POLITICO :

Estrutura.

O termo Estrutura tem assumido significados muito diferentes, do positivismo evolucionista até o estruturalismo metódico.

I. O CONCEITO DE ESTRUTURA NO POSITIVISMO EVOLUCIONISTA DE H. SPENCER. 
— H. Spenter define o conceito de Estrutura, que vai buscar à biologia, como um conjunto de partes funcionais em relação à unidade que constituem, ou seja, como um conjunto de partes mutuamente dependentes. Spencer reconhece também na organização social as leis da evolução universal, que presidiriam, por conseguinte, tanto o desenvolvimento do mundo orgânico como o da Estrutura social. Assim como aumenta a massa dos corpos viventes, também a Estrutura social suporta o incremento devido à integração de pequenas e simples comunidades. A integração se segue a diferenciação das partes (uma função governativa, a distinção entre as partes reguladoras e as partes operativas). Finalmente, uma progressiva diferenciação das funções se desenvolve contemporaneamente à das partes da Estrutura. As partes que a compõem são interdependentes, na medida em que é a combinação das suas ações que constitui a vida do todo, e a modificação de uma delas se reflete sobre todas as demais. Spencer julga que a Estrutura social passa por um processo natural análogo ao do mundo orgânico, de cujas leis evolutivas participa: é por isso que lhe parece inaceitável a tese de Hobbes, que pôs a origem da sociedade num contrato social, proclamando assim seu caráter artificial.

II. A ESTRUTURA NO ESTRUTURALFUNCIONALISMO. 
— Segundo T. Parsons, Spencer foi vítima da evolução (da ciência), de que fora um dos mais convictos defensores. O estrutural-funcionalismo, de que Parsons é um dos mais insígnes expoentes, abandonou completamente a estreita analogia com o mundo orgânico em que Spencer fundara o seu conceito de Estrutura social. Parsons distingue dois níveis de pesquisa sociológica: a) nível descritivo; b) nível analítico. O primeiro se refere aos dados concretos experimentados numa verificação empírica; o segundo, a um esquema lógico, graças ao qual pensamos e descrevemos os fenômenos da ação social. É a este segundo nível que temos de nos referir para acompanhar a reconstrução do conceito de Estrutura social realizada por Parson. Em primeira análise, ela indica uma rede de relações entre os sujeitos implicados num processo de interação. A participação nessas relações estruturais apresenta dois aspectos primários: de um lado, está a posição que o sujeito ocupa com relação aos outros, ou seja, o seu status; do outro, o aspecto processual, que se refere ao que o sujeito cumpre em suas relações com os demais, ou seja, o seu papel.

Estas indicações permitem distinguir os quatro componentes da Estrutura social:

1) o ato social realizado pelo sujeito agente e dirigido a um ou mais sujeitos em função de objetos de referência;

2) o status-papel, isto é, o conjunto dos atos realizados por sujeitos que ocupam status recíprocos;

3) o sujeito como sistema de status e papéis a ele atribuíveis, tanto como objeto de referência quanto como autor da atividade do papel;

4) a unidade constituída pela coletividade, quer como sujeito agente, quer como objeto. A distinção dos quatro componentes não exaure toda a riqueza e a complexidade da noção de Estrutura social.

A teoria da ação é, em Parsons, constituída por três centros:

a) a Estrutura social;

b) os aspectos motivadores do sujeito;

c) os aspectos culturais da ação, isto é, os critérios de valor.

A Parsons interessam particularmente os modos como se orienta o sujeito quanto à situação: ele julga, com efeito, quais sejam as propriedades dos objetos do contexto situacional (processo cognitivo); se lhe são favoráveis ou desfavoráveis (processo catético); que necessidades satisfazem de imediato e quais as que podem satisfazer depois (processo estimativo). O aspecto cultural da ação se refere aos critérios normativos, que determinam se os juízos formulados pelo sujeito são válidos ou não. Segundo Parsons, o sujeito integra em sua personalidade os modos de orientação cultural preexistentes, que lhe são comunicados desde fora. As considerações anteriores permitiram a Parsons, na esteira de Durkheim, definir, em última instância, a Estrutura do sistema social como o conjunto dos modelos culturais normativos institucionalizados no sistema e interiorizados na personalidade dos seus membros. Trata-se, pois, de uma correlação de tendências psicológicas e culturais, ou seja, da interação e integração das motivações. Enquanto Parsons reconstrói a Estrutura do sistema global, R. K. Merton define a Estrutura da situação. Também ele aceita como válida a já mencionada distinção entre nível descritivo e nível analítico no método sociológico. É com referência a este último que se hão de entender as considerações que seguem.

A análise estrutural mertoniana baseia-se em três operações fundamentais:

I) identificação dos elementos ESTRUTURA 447 determinantes: trata-se de referências concretas a que se pode prender a ação dos sujeitos, que podem ser atraídos, quer pelos valores e normas de grupos, isto é, de formações sociais de vários tipos, quer por indivíduos, quer, enfim, por modelos de papéis (entendendo-se com isto a identificação mais limitada com um indivíduo, num dos seus papéis);

II) análise das propriedades estruturais;

III) definição das condições estruturais do comportamento (a possibilidade de observância das normas, por exemplo, uma das propriedades estruturais, depende do status que uma pessoa ocupa; assim, quem detém a autoridade possui um conhecimento maior delas, a fim de as respeitar, porquanto é nisso que está a maior garantia da sua autoridade). É desta análise que emerge o conceito mertoniano de Estrutura social como Estrutura da situação, que compreende: a) o conjunto de referências, ou seja, a constelação dos grupos, categorias sociais, coletividades, subgrupos (partidos, sindicatos, etc); b) as condições da escolha subjetiva de um dado contexto estrutural (valores e normas de um grupo de referência). Este conceito de Estrutura, ao contrário do de Parsons, não leva em conta o aspecto da motivação na escolha subjetiva e deixa aparecer principalmente os aspectos objetivos (grupo de referência, condições da opção individual) da situação em que o sujeito se encontra e age. Em ciência política, Almond chama Estruturas àquelas uniformidades observáveis que constituem o sistema político. Mais exatamente, a Estrutura é um conjunto de papéis ligados entre si. Por papel se há de entender a esfera de atividade dos indivíduos inerente aos processos políticos. Assim, a atividade do juiz é um papel, o tribunal uma Estrutura. Almond usa os termos de papel e Estrutura e não os de função e instituição, quando entende referir-se a comportamentos observáveis e não a normas formais.

III. ASPECTOS METODOLÓGICOS DO ESTRUTURALFUNCIONALISMO. 
— O estrutural-funcionalismo faz parte dos estruturalismos globais, cuja característica é a de se basearem nas interações observáveis num sistema (v. J. Piaget, Lo strutturalismo, Milano 1968). A reconstrução da Estrutura é a descoberta de uma ordem, a um certo nível de abstração, dentro da realidade descrita. O nível em que isso ocorre implica o recurso a elementos analíticos (por exemplo, os conceitos de fim, meio, condições, normas) a que correspondem, a nível empírico, valores precisos (um fim, um meio determinado, etc). O status desta análise estrutural é, portanto, fenomenológico (são, de fato, freqüentes as referências de Parsons a Husserl), na medida em que conduz à elaboração de um esquema que torna possível pensar e descrever a realidade concreta. Trata-se de um estruturalismo estático, preocupado com a interação e integração das partes. Enfim, é um estruturalismo que liga intimamente ao conceito de Estrutura o de função, definida como conseqüência da ação (Merton) ou como condição da manutenção do quadro estrutural (Parsons).

IV. ESTRUTURALISMO METÓDICO. 
— A peculiaridade do chamado estruturalismo metódico está na superação da realidade empírica e da sua descrição. Consegue, com efeito, construir uma Estrutura que consiste em relações lógicas e que não é, por isso, nem um "fato", nem uma ordem encontrável dentro de "fatos''. A mudança meto dológica foi assinalada pela lingüística, cujas perspectivas acabaram por interessar a todas as ciências que estão diversamente comprometidas com o estudo do homem (a antropologia estrutural e a psicanálise, por exemplo). A construção estrutural realizada pelo lingüista não é, como na física, uma construção teórica que sobrepõe o sistema hipotético aos dados encontrados na pesquisa empírica; pelo contrário, a rede das relações lógicas que se constrói, embora não pertença à ordem dos fatos nem à das abstrações daí deriváveis, não constitui, contudo, um esquema fictício, mas a tradução, com o rigor de uma formulação lógica, de princípios e relações existentes, como escreve Saussure, a nível da consciência coletiva. Na perspectiva do estruturalismo metódico, a Estrutura, além de não poder ser constatada como dado, possui, segundo J. Piaget, as seguintes características: I) a totalidade: a Estrutura consta de elementos subordinados a leis de composição que conferem ao todo propriedades distintas das dos elementos; II) a possibilidade de transformação; III) a auto-regulação, isto é, o respeito aos limites e a observação das leis da Estrutura nas transformações estruturais.

V. CONCEITO DE ESTRUTURA NA ANTROPOLOGIA ESTRUTURAL. 
— A antropologia estrutural, que podemos incluir entre os estruturalismos metódicos, apresenta uma definição de Estrutura que é estreitamente afim à da lingüística estrutural. Qualquer disposição de partes se converte em Estrutura, quando responde a duas condições. 

A) Tem de ser um conjunto de elementos expressos em forma simbólica, dotado de propriedades (regras) que lhe garantam a coesão interna. Esta primeira condição admite uma dupla interpretação: a Estrutura, ou é um conjunto dotado de 448 ESTRUTURA propriedades, ou se resolve nas propriedades desse mesmo conjunto. A última solução é a mais provável, como é lícito inferir da própria definição da Estrutura elementar da parentela, identificada com as leis internas da inclusão nas, e da exclusão das classes exógamas, expressas na forma simbólica como foi subdividida uma determinada população (v. C. LéviStrauss, Le strutture elementari della parentela, Milano 1969). 

B) Há de ser transformação estrutural (de uma Estrutura elementar da parentela, por exemplo, em outra), ou seja, deve fazer parte de uma variedade de transformações. O caráter fundamental de uma Estrutura é, pois, o de se poder converter em outro conjunto de elementos, tendo por base as regras da transformação. 

Convém precisar que as transformações não são de natureza histórica, mas lógica, uma vez que são efetuadas, mediante operações lógicas (permutações), de um conjunto de símbolos em outro. A inclusão de uma Estrutura num grupo de transformações é condição fundamental da sua inteligibilidade. Além disso, os grupos de transformações seguem uma única linha combinatória, cujas regras são as do espírito humano, que gera, através de uma atividade incônscia, todas as Estruturas possíveis. O conjunto destas Estruturas, de caráter inconsciente, acentuamos, está universalmente presente em potência, ao passo que a sua realização depende da ação humana, baseada no material histórico de que dispõe. O caráter universal da Estrutura garante a objetividade do modelo que a exprime: uma única Estrutura está por baixo, tanto do sistema que é objeto de pesquisa, como dos modelos de conhecimento do antropólogo. 

Por fim, a última característica da Estrutura é a nãohistoricidade: ela se opõe à história. Paralela a esta oposição é a existente entre sincronia e diacronia. Não convém confundir a Estrutura com as relações sociais de um sistema concreto: estas são só a matéria-prima utilizada na construção do modelo que evidencia a Estrutura, convertida então na "Estrutura do sistema". Esta Estrutura consiste na relação entre os elementos simultâneos, constituindo um estado de equilíbrio. A história é, em vez disso, a sucessão dos fatos contingentes (migrações, guerras, alianças) que podem provocar modificações na Estrutura; mas, se a tendência estrutural resiste ao choque, as novas soluções serão mantidas na linha anterior. Verificar-seá então um deslocamento dos limites da Estrutura, mas esta, embora alterando-o, conservará seu equilíbrio interno. 

O ordenamento estrutural não possui em si mesmo o princípio do próprio movimento: este reside fora, na história. Enquanto a Estrutura é uma sucessão de estados em equilíbrio, a história é o catalisador das mudanças estruturais, isto é, da realização das possibilidades intrínsecas à Estrutura. Ao equilíbrio estrutural se opõe a série dos fatos individuais e fortuitos; à ordem do necessário se opõe a ordem do contingente. O método da antropologia estrutural é, pois, um método fundamentalmente aristotélico, que só julga cientificamente inteligível o que ocorre necessariamente ou com freqüência. Acrescentemos uma distinção importante: a distinção entre Estrutura de código e Estrutura de rede. Aquela são as regras que regem um conjunto de mensagens (as mensagens lingüísticas, por exemplo); esta, as regras que regem um conjunto de permutas (as matrimoniais, por exemplo). As mensagens são os objetos comunicáveis, enquanto que a rede é o conjunto dos canais que intermedeiam entre quem emite e quem recebe, e através dos quais se trocam as mensagens.

VI. CONCEITO DE ESTRUTURA NO MARXISMO ESTRUTURALISTA. 
— Para a formulação do conceito de Estrutura segundo o marxismo estruturalista são necessárias algumas considerações metodológicas prévias. O Capital começa com a exposição de um grupo de categorias, indispensáveis para a compreensão da Estrutura de qualquer sistema de produção mercantil: conceito do valor de troca de uma mercadoria; a moeda, que é apresentada como uma mercadoria especial; o dinheiro, definido como uma forma de moeda; o capital, ou seja, o dinheiro que acrescenta valor ao valor inicial; a mais-valia. Um tal aparato teórico é necessário para a identificação da Estrutura específica do sistema capitalista e de qualquer outro modo de produção. 

A análise do conceito de mercadoria reduz as relações entre bens de venda às relações de produção; o conceito de mais-valia surge como conceito de um conjunto de relações, isto é, como conceito da Estrutura de produção. Em primeira análise, a Estrutura é o mecanismo de produção da mais-valia, mediante a relação capital-trabalho. O processo teórico que permite a elaboração da Estrutura consiste em superar a realidade descritiva, isto é, a atividade concreta dos homens, e em construir um aparelho de conhecimentos científicos. Desta maneira, a descoberta do feiticismo das mercadorias permite ir mais além das aparências da troca de produtos no mercado e discernir o conjunto das relações de produção. É o processo, brilhantemente delineado por Althusser, que se desenvolve da Generalidade I (isto é, das representações de uma realidade constatada, das abstrações que refletem especularmente o plano empírico) à ETNI A 44 9 Generalidade I I I , constituída pela totalidade dos conhecimento s científicos .

É a passage m da ideologia à ciência, tornada possíve l pelo corpo de conceitos que antes esboça mos . O resultado diss o é a construção' da Estrutura do siste m a produtivo, definida como conjunto d e duas r elações :

1) relação d e propriedade;

2) relação d e apropriação re al. A primeira expressa, segundo Marx, uma relação d e domínio: pertence m ao proprietário tanto os meio s de produção como o trabalhador . A segunda se r efer e à combinação dos meios de produção e dos indivíduo s no process o produtivo. A identificação da Estrutur a co m as duas relações exclui tod a consideração antropológica. Ta l Estrutura, superada a perspectiva do hom o oeconomicus, ou seja, do indivíduo humano e das suas necessidades, resolv e -se unicamente na combinação dos diverso s ele mentos da produção. O desapareciment o do indivíduo , garantia d e uma construção científica da estrutura, indica a distância que separa a obra de Marx dos economistas clássicos. Mais: é justa ment e a Estrutura das relações de produção o verdadeiro sujeito, porquanto é ela qu e destin a os lugares e funçõe s ocupados e assumido s pelo s agentes d e produção, que são os seus portadores ( Träger ) (v . Althusser e Balibar , 1968). A diversa colocação dos objetos e agentes da produção co m respeit o às r elações estruturais permite definir a Estrutura d e qualquer siste m a produtiv o (feudal, socialista ou simp lesmente hipotético, co m o o qu e Marx chamou " o modo de produção mercantil ").

A escola althusseriana reconsiderou a r elação Estrutura-supra -estrutura dentro d a Estrutura global, dita dominante, d a sociedade. Não é uma relação mecanicista do fenômeno, isto é, da aparência para a essência. Pel o contrário , trata -se d e u m condicion amento recíproco d a existência. Assi m como a Estrutura produtiva foi condição do desenvolvi mento d a Estrutura jurídic a (ist o é, do conjunto das r elações jurídico - formais entre os indivíduos), assi m tamb é m esta, por sua vez, constitui a condição da existência daquela, enquanto dá forma às relaçõe s d e produção . O conjunto dos nívei s estruturais forma a Estrutur a hierárquica da sociedade, caracterizada pela dominância alterna das diversas Estruturas: a Estrutura da parentela na sociedade pri mitiva; a Estrutur a política n a polis grega; a Estrutura econômica na sociedade capitalista. A importância de uma construção teórica, então , mede -se em r elação à história: ela permite, d e fato , constituir o modelo de funcionamento d e qu alquer sistema produtivo, modelo que servirá co m o hipótese de trabalho para o historiador e, ao me s m o tempo , co m o quadro d e referência que o livrará da ac umulação cega de dados empíricos.
____________ATÉ AQUI 

PARA CONCLUIR, ELES CRIAM GRUPOS DE TRANSFORMAÇÃO PARA CRIAR MUDANÇAS NAS ESTRUTURAS SOCIAIS DA SOCIEDADE E AINDA USAM INTELECTUAIS ORGÂNICOS PARA QUEBRAR HEGEMONIA DOS BLOCOS HISTORICOS